sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A hora certa

Hoje, tive a certeza de que, realmente, estar na hora e no lugar certo podem fazer toda a diferença entre se dar bem ou não ou mal. Quem se lembra do filme "Efeito Borboleta" (2004, com Ashton Kutcher) já viu, de forma talvez um pouco exagerada, que dobrar uma rua antes pode gerar efeitos devastadores. Não que eu acredite muito nisso, na maioria das vezes, mas de vez em quando, até que pode ser verdade. Outro exemplo mais recente que ilustra a ideia é o recente "O Curioso Caso de Benjamin Button", com Brad Pitt e Cate Blanchett, ainda nos cinemas. Você já viu o filme né? Pra eu poder contar. Tem uma cena que mostra vários acontecimentos paralelos - enquanto a bailarina Daisy (Blanchett) é mostrada dançando, conversando e saindo do ensaio, uma sequência de outras ações, como um homem que acorda cinco minutos atrasado, levam ao atropelamento de Daisy e à ruína de sua carreira na dança.

Bom, e o que isso tudo tem a ver com o que eu disse no começo? Hoje, não aconteceu qualquer coisa que pudesse modificar muito minha vida. Não encontrei um amigo que, coincidentemente, trabalha para um grande jornal, e que também gosta muito de mim, e além disso tudo, resolveu me indicar para uma vaga de qualquer cargo bom. Também não resolvi alterar o caminho que eu faria, nem evitei dessa forma, como poderia ter acontecido, ser atropelado. Mas vi outra pessoa sendo atropelada. Foi assim: depois de quatro meses das chuvas de granizo que detonaram meu carro em Belo Horizonte, levei o carango pro conserto. O cara que fez o martelinho-de-ouro veio me buscar em casa e fomos pra oficina. Peguei o carro, entrei na rua e segui, até fazer uma curva à esquerda e perceber que a seta, só a do lado esquerdo, estava com defeito. Resolvi voltar pelo mesmo caminho, para reclamar. Menos de cinco minutos depois que saí da oficina, voltando pela mesma rua, só escutei uma freada, um barulhão e vi uma bicicleta voando por cima de um carro estacionado. Eu estava logo atrás do lugar, saí do carro sem nem lembrar de fechar os vidros, na chuva, para ver se ajudava em alguma coisa. O dono da bicicleta era um homem entre uns 40 e 50 anos, vestia camiseta azul e uma calça jeans suja que dava dó, e estava inconsciente no chão, sangue escorrendo pelo braço esquerdo, e um saco de carne recém comprada jogado ao lado. Não deu tempo de eu ajudar em muita coisa, só de perguntar se alguém já tinha chamado ambulância.

A gente fala às vezes que quando tem acidente, as pessoas tem uma curiosidade meio mórbida em ficar vendo a desgraça alheia, mas não é só isso. O interesse em ajudar é real. As pessoas ao redor recolhendo os pertences do homem, guardando a bicicleta e até levando a carne pra dentro de casa, e quem sabe, até colocar em uma geladeira... Por outro lado, teve um cara já decretando o falecimento do ciclista da carne, como não conseguisse sentir o pulso dele. E o motorista? Esse sim, devia estar xingando até a décima-sétima geração da família da pessoa que, quem sabe, tenha a maior parte da responsabilidade por ele ter estado dirigindo aquele carro, naquela hora, e tentado fazer aquela curva. E xingando em inglês. Quando cheguei, ele falava ao celular, na língua inglesa, explicando o que havia acontecido. Isso me chamou um pouco a atenção na hora, porque se envolver em um acidente fora de seu país-natal deve ser um tanto mais desconfortável. Lembrei também de um rapaz brasileiro que conheci nos Estados Unidos, muito tranquilo, que acabou sendo acusado, junto com outros três brasileiros, de embebedar e estuprar uma garota americana em uma festa. Pelo que sei, ele se safou do caso, e acho que foi tudo armação dela pra ferrar com os quatro.

Voltando ao local do acidente de hoje - não tinham passado 10 minutos que eu estava ali, passa do outro lado da rua o cara do martelinho-de-ouro em um carro. Se eu não tivesse parado pra ver o que havia acontecido, teria dado tempo de chegar à oficina e ver meu problema. Fui pra lá de qualquer jeito. Mas logo que estacionei o carro pra esperar até que ele chegasse, o problema havia desaparecido! E não voltou mais, até agora. Resolvi ir embora. Foi o problema da seta que me fez voltar e presenciar o acidente. Parei pra ver o que estava rolando, o martelinho passou. E fiquei sem ver o problema da seta, que, milagrosamente, desapareceu.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Folha corrida

Pode até parecer, mas não, eu não sou adepto do "Slow Blogging". Aliás, eu nem sabia que existia um movimento com esse nome, que surgiu em algum lugar da Internet em meados de 2006 e prega a necessidade de atualizações mais esporádicas nos blogs para refrescar nossos sentidos constantemente hiper-estimulados; ou, pelo menos, a rejeição ao imediatismo e ao ritmo frenético com que a informação é produzida e consumida em nossos dias. Como ia dizendo, eu nem sabia que esse tal movimento existia, até duas semanas atrás, quando fui dar uma olhadinha no site do programa trainee da Folha de S. Paulo, o Novo em Folha , para saber mais sobre a prova do jornal que fui fazer no último fim de semana, na capital paulista.

E olha só, slow-blogueiro ou não, passei alguns dias lembrando e esperando até resolver contar algumas coisas interessantes, não necessariamente agradáveis, que me aconteceram nesses dois rápidos dias em SaPa.

Cheguei à rodoviària de Taubaté às 13h50, sem óculos, o que me impediu de reconhecer minha sobrinha Thaís a mais de 20 metros de distância. Achei que ela já tivesse viajado, mas o despertador dela tocou às 9 da manhã e ela acordou, só que dormiu de novo e só se levantou depois das 11h. Eu tinha combinado de passar a noite no apartamento do Thiago, meu sobrinho e irmão da Thaís, já que faria a prova no domingo pela manhã. Ela foi por causa do aniversário do irmão, que seria comemorado com um churrasco num bar. E eu? Ia tentar "estudar", tirar o atraso sobre as principais notícias veiculadas ao longo do segundo semestre todo e mostrar como sou um aspirante a jornalista bem informado.

Pois bem, já em São Paulo, partimos Thaís e eu para o metrô. Aquela cidade reserva sempre momentos que me fazem pensar se são coisas que só acontecem em um lugar daquele porte. Fomos comprar os bilhetes, os dois no mesmo guichê, a fila enorme atrás, a Thaís comprou os de ida e volta dela, e eu fiquei pegando dinheiro, enquanto um rapaz de barba e óculos chegou e foi já comprando os bilhetes dele na minha frente! Reclamei com o cara, que só falou assim "foi ele que me chamou (referindo-se ao bilheteiro), briga com ele", e foi embora. É um por si e todos por ninguém?

O folgado e nós dois pegamos o metrô, eu fiquei na Estação das Clínicas e Thaís seguiu viagem. Peguei um táxi e cheguei à casa do Thiago. Não sem antes fazer um tour pelos elevadores do prédio. O Thiago deixou as chaves na portaria, para eu entrar pela cozinha, mas o porteiro não me avisou qual era o elevador certo. Peguei o da entrada social, subi ao 18° andar, descobri o equívoco, desci e subi novamente os 18 andares pelo lado certo.

Já instalado no apartamento do sobrinho, parti à maratona de leituras de jornal, revista e pela internet. Não preciso falar que não fez muita diferença. Seis meses de leituras diárias não se resolvem em seis horas. Mas até que eu não estava muito desinformado, pra minha sorte. À noite, a fome bateu, a preguiça reclamou e as duas entraram em acordo: pizza. Peguei o telefone de uma das duas opções mais à mão na geladeira, a Pizzaria Sorietto, e pedi uma brotinho de lombinho com uma Coca dois litros = R$ 15,90. Entrega em até 28 minutos. Depois de 20, o porteiro estava me chamando pra descer e buscar o rango. Desci voando, com minha nota de vinte reais ondulando com o vento. E aí é que tá: deve haver algum desentendimento entre os procedimentos na hora de se pedir uma pizza e anotar um pedido de pizza entre Belo Horizonte e Taubaté com São Paulo. Porque nas duas primeiras cidades, sempre me perguntaram: "vai precisar de troco?". Mas em SaPa, não. Lá, você é quem tem que se virar para reivindicar seu troco legítimo, ninguém vai garantir isso pra você. Resumindo, paguei R$ 4,10 a mais, e não tinha Coca, fiquei com um Guaraná.

As surpresas não pararam por ali. Meu estômago já estava gritando, abri desesperado a caixa de Pandora, para me deparar com um mar de cebola! Não sabia nem onde estava a pizza ali dentro. Escavei uma camada de cebolas e cheguei ao lombo. Só?! Tirando a maldita cebola, só tinha lombo, casca e uns três pingos de molho de tomate. Fazer o quê?!! Comi aquela merda, na fome que sentia.

Lá penas 11h30, chegam Thiago com a namorada, Bianca, Thaís, a prima deles, Mariana, e outras pessoas. Eles pediram pizza também, também na Sorietto, e eu... comi de novo. E fui dormir, pra acordar cedo.

Acordei antes das 7h, comi os restos das pizzas com um copo de refri e chamei um táxi. Sim, porque eu não conheço nada de SaPa e não queria correr o risco de perder a mim e à prova. E conheci o taxista Wilson. Pai de um dois filhos, um homem de 27, e uma mulher de uns 25, Wilson me recomendou do início ao fim da breve corrida que eu aproveite a vida, que é quase tão breve quanto uma corrida de táxi. Ele já se diz conformado com o fato de não ter ficado rico, e resolveu transferir seu "império econômico pra próxima encarnação". Mas na próxima vida, ele também quer alguns centímetros a mais de altura e na horizontal: "quero uma rôla grande, não um clitóris avantajado", diz. E complementa: "só não vai adiantar se eu nascer viado".

Já na porta da Folha, Wilson lembrou do tempo em que entregava jornal para a empresa e não podia deixar de trabalhar nem quando estivesse muito doente.

Fui um dos primeiros a chegar. E fui tentar conversar com alguém, pra descontrair um pouco. Conheci uma menina de São Paulo mesmo, de quem não lembro o nome, que não era nem jornalista nem estudante de Jornalismo. E o que ela estava fazendo ali? Ela era advogada, e doutoranda em Direito pela USP. E o que ela estava fazendo ali?! Ela disse que ser jornalista era seu sonho, mas que não estava confiante para a prova, pois não tinha estudado nem lido o Manual de Redação da Folha (o programa trainee do jornal admite pessoas com formações diferentes de jornalismo). Só que, na época em que ia entrar pra faculdade, a família de advogados estava precisando de mais um, e ela foi pra área jurídica. Formou-se, mestrou-se e agora está se doutorando. E será que ela gosta? Ela diz que de estudar, sim. Sinceremante, ela me pareceu muito frustrada, mesmo fazendo doutorado na escola de Direito mais tradicional do Brasil, no Largo de São Francisco. O mais estranho é saber que mesmo tendo seguido a carreira de advogada "porque a família precisava", o próprio pai dela é a pessoa de quem ela mais recebeu incentivos a participar da seleção para a Folha e tentar ser jornalista.

Depois, finalmente, começaram a chegar as pessoas conhecidas, da UFMG, Priscila Brito, Lívia Aguiar, Marina Borges... E fomos pra prova, na redação da Folha, uma sala gigantesca, com computadores suficientes para as cerca de 200 pessoas que foram fazer a prova.

(prova)

A maratona terminou num rodízio de churrasco, a R$ 13,00, muito bem gastos. Enchi a pança, fui com a Pri pro metrô, em direção ao terminal rodoviário do Tietê. Ela ficou uma estação antes, pois tinha perdido a blusa em algum lugar, e foi procurá-la. Depois fiquei sabendo que ela tinha recuperado a roupa. Quando cheguei à rodoviária, fui correndo comprar passagem pra Taubaté e dar o fora daquela cidade o mais rápido possível, e me disseram que tinha lugar no ônibus das 15h. Perguntei se não tinha mais no das 14h, pois estava doido pra chegar em casa logo, e o rapaz disse que não. Comprei a das 15h e me senti tranqüilo para dar uma volta, comprar uma água e ler alguma coisa, quando me dei conta de que na hora em que comprei a passagem já eram mais de 14h40. Foi só o tempo de descer pra plataforma 46, me acomodar, dar tchau e desejar ter que, feliz e infezlimente, voltar àquela cidade daqui a dois meses para a próxima etapa da Folha.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Confusão – peça teatral em ato único

Cena: Rua estreita de cidade histórica mineira. Início da noite, começa a escurecer. Dois restaurantes vazios nas duas esquinas do início da rua. Qualquer um sobe a ladeira sozinho. Outro qualquer passa descendo no sentido oposto. Qualquer um aborda o outro, que reage com desconfiança. Passam a descer a rua lado a lado.

Qualquer um - Te conheço de algum lugar.
Outro qualquer - Não sou daqui.
Qualquer um - Não é daqui, é de BH.
Outro qualquer - Sou do Rio de Janeiro.
Qualquer um - Não é possível, te conheço de algum lugar.
Outro qualquer - (não responde e continua a descer)
Qualquer um - Você só pode ter um irmão gêmeo.
Outro qualquer - Nunca me contaram.
Qualquer um - Você não deve estar lembrando.
Outro qualquer - Nunca te vi.
Qualquer um - Tenho certeza de que te conheço.
Outro qualquer - Se me encontrar por aí, manda um abraço.
Qualquer um - Pódexá.

Os dois se separam. Outro qualquer sai de cena mais desconfiado ainda. Qualquer um vai para o bar mais próximo, pede uma cerveja, senta-se e esquece do assunto. Num estalo, lembra-se de que no ano passado, na mesma cidade histórica mineira, fez entrevista com ele e teve que olhar para sua cara gravada no vídeo durante pelo menos 15 minutos. Tudo sem explicação para o público. Fecham-se as cortinas.

Personagens:

Qualquer Um .................Fábio Freitas, repórter da TV UFMG
Outro Qualquer ..............Juno Marins, técnico do IPHAN

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Cuidado com o Helder...

divulgação

Inaugurei minha participação como espectador no 40º Festival de Inverno da UFMG, na cidade histórica de Diamantina, com relativa sorte. Já no primeiro dia, competi com outras duas pessoas da comunicação do festival e fui sorteado com um ingresso para a apresentação de “Espiral Brinquedo Meu”, solo cênico-musical do pernambucano Helder Vasconcelos.
Mas por que "relativa sorte" e "cuidado"? Simplesmente porque a peça é uma colcha de retalhos indefinida. Helder se baseia nas tradições do maracatu e do teatro do Cavalo Marinho numa apresentação excessivamente interativa. Em vez de aproveitar os lances interessantes da peça para tentar construir uma narrativa mais consistente, o artista põe tudo a perder encerrando de repente histórias que poderiam comover, e partindo para cenas de humor duvidoso como a parte em que ele interpreta uma mulher (ou um homossexual, não sei) e fica rebolando e fazendo caras e bocas.
E por que espiral? Bom, eu poderia dizer com mais certeza se a peça desse respostas. Helder fica rodopiando durante vários minutos no início da apresentação, depois diz que a vida é uma coisa que vai e volta, e que toda vez que alguém morre outra pessoa nasce. Ótimo, muito bonito. Mas o que (suponho eu) deveria ser a temática da peça, se perde tão logo Helder se auto-proclama várias vezes mestre de maracatu.
Algumas cenas, como a que ele pergunta à platéia se alguém já viu uma pessoa morrer, para logo após dizer que ele já, poderiam ter sido mais exploradas para dar sentido ao título. São temas que poderiam emocionar. Mas que se misturam a coisas bizarras como a maneira com que ele recebe a platéia: "Cuidado com a rua!". O que isso tem a ver? Ou sou muito burro mesmo pra entender, ou isso não faz sentido algum.
Enfim, o tal do Helder Vasconcelos, cujo nome já estava bem familiarizado pelos meus ouvidos, apesar de não saber o que ele fazia, foi uma boa decepção. Não via a hora de acabar.
Quando acabou, ouvi dos intelectuais de plantão os elogios "foi maravilhoso!", "adorei!". Fiquei até com receio de criticar e ter que ouvir o contrário. Mas as impressões de pelo menos três pessoas, de um total de três com quem conversei, foram exatamente as mesmas: "pouco consistente", "colcha de retalhos" e "esperava mais".
Apesar disso, deu pra ver que talento do artista foi na verdade desperdiçado. Enquanto ele dançava, tive a absoluta certeza de já ter visto aquela dança antes num filme. Depois, confirmei que ele era o diabo de Moacyr Góes em "O homem que desafiou o diabo". Talvez ele tenha sido a única coisa boa do filme, que para mim, foi um tremendo fiasco.
Descobri depois que ele foi um dos fundadores da banda Mestre Ambrósio, de Recife, nascida das influências do mangue-beat. Banda de que só conheço um CD, o "Fuá na Casa de Cabral", mas que adoro. Quer dizer, pra mim, o Helder sabe fazer coisas muito boas, sim. Só não acertou no raio da espiral.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Bravo, Dercy!

Foto: Dório Victor-G1
A extravagância de Dercy Gonçalves não pára nem depois de morta. O corpo da atriz foi enterrado nesta terça-feira num cemitério do Rio de Janeiro, em pé, dentro de sua pirâmide de cristal. A bateria da escola de samba Viradouro embalava a despedida, com o samba-enredo Bravo, Bravíssimo, que conta parte da vida da artista.

sábado, 19 de julho de 2008

A Firmeza da Verdade

Se um dia eu resolver deixar o jornalismo, quero trabalhar na Polícia Federal pra pegar ladrão. Mas não pra sair à noite prendendo ex-prefeito com remela no olho e de pijama. Eu quero é poder participar da invenção dos nomes pras todas aquelas operações espetaculosas. São de uma criatividade imensa. Só pra citar alguns dos mais conhecidos do momento: Satiagraha - o nome, segundo quem diz entender de sânscrito, significa "firmeza da/na verdade", princípio de não-agressão defendido pelo pacifista indiano Mahatma Gandhi. Na mira da "verdade", o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de pijama Celso Pitta e o investidor Naji Nahas, entre muitros outros (será que dessa vez vai ter um Roberto Jeferson pra jogar a merda no ventilador?).
Outro: Operação João-de-Barro, que investiga um esquema de desvios de verba do PAC para construção de casas populares no Vale do Rio Doce e no leste de Minas. O principal investigado é o deputado federal João Magalhães.
Mais algumas com que nossos ouvidos estão bastante familiarizados: Operação Navalha, Pasárgada, Toque de Midas...
Estou seguro de que existe algum cargo na Polícia Federal exclusivamente para dar nomes às investigações. E se tiver concurso público pra esse posto, é pra isso que eu vou estudar. Será que tem que ser publicitário?
Com os nomes das operações, daria pra, pelo menos, fazer o rascunho da Bíblia. De 2008, tem as operações São José e Fariseu. E de 2007, Iscariotes e Testamento. Em 2006, teve Terra Prometida, Isaías, Dilúvio, Sansão, Davi e São Mateus. E teve Êxodo (2005), Praga do Egito (2003) e Matusalém (2004).
E não são só os famosos da Bíblia que foram homenageados pela PF. Alguns, que eu saiba, nunca tiveram um crime divulgado, como Freud (2007). Já o Capitão Gancho fez por merecer.
Esses crimes investigados pela polícia são quase sempre uma novela policial, cheia de fortes emoções, como prisões preventivas, habeas corpus, quadrilhas endinheiradas, máfias de todo tipo. A Terra Nostra desbaratou um esquema de grilagem de terras em 2005, e a Anos Dourados, atuou contra esquema de fraudes de benefícios, em 2006. Já a mexicana Carrossel tentou reprimir a pedofilia na Internet.
Além de novela, tem livro e filme. Feliz Ano Velho (2004), Senhor dos Anéis (2007), Vidas Secas I e II, Gladiador, Gato de Botas, Branca de Neve, Macunaíma (2006), Setembro Negro (2003) e Pinóquio (2008).
Daria também pra montar um zoológico com as operações: Mula, Camaleão (2008), Águia, Sucuri, Lince, Anaconda (2003), Tubarão, Hiena, Zebu, Zebra (2007), entre outras. E garanto que tem policial federal fã de funk. Pra ter batizado uma operação de Lacraia (2007), só pode...
Um setor de criação da PF deve ter um núcleo especializado em mitologia grega: Zeus, Minotauro, Ilíada, Prometeu, Morpheu (2007), Medusa e Cavalo de Tróia (2003); outro deve ser formado por fanáticos por futebol: 3x1 e Novo Empate (2006). Já os criadores destes nomes, nem digo nada: Good Vibes e Wood Stock (2007).
Se sua paciência me permite, vou além: os agentes com almas de justiceiros devem ter sido os autores de Matamento e Cia do Extermínio, ambas de 2007. Os jogadores de plantão, de Game Over e Banco Imobiliário, também de 2007.
Bom, pra finalizar, se este texto te deixou Com Dor (2006), tira essa Carranca (2007) e Seja Legal (2006).
E se quiser ver a lista completa (incluindo micro resumo) com todas as operações da PF desde 2003, clica aí: http://www.dpf.gov.br/DCS/operacoes/indexop.html

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Recesso

Uma pausa. O Senado, antes de entrar hoje em recesso parlamentar, que vai até o dia 31 de julho, aprovou 666 matérias, de um total de 708, desde fevereiro deste ano. Sem superstições, é só a curiosidade do número.